Descontos de até 99% e parcelas a partir de R$ 9,90. Entenda como funciona o Feirão Serasa 2026, quando vale a pena participar e quando buscar uma solução mais definitiva.
Feirão Limpa Nome Serasa. Todo começo de ano a mesma promessa: desconto de até 99%, parcela de R$ 9,90, nome limpo em cinco dias. Parece bom demais — e em muitos casos é bom mesmo. Mas a pergunta que ninguém faz é outra: limpar o nome resolve o problema ou só apaga o sintoma?
Este guia vai te mostrar, com dados reais do 35o Feirão Serasa 2026, o que funciona, o que é propaganda e o que você precisa avaliar antes de sair clicando em "acordo".
O Feirão Limpa Nome é uma campanha promovida pela Serasa Experian que reúne empresas credoras para oferecer condições especiais de negociação. A edição de 2026 — a 35a — aconteceu de 23 de fevereiro a 1o de abril, com mais de 2.200 empresas participantes: bancos, operadoras de telefonia, varejistas, empresas de energia e outros setores.
Os números da campanha:
- Descontos de até 99% sobre o valor da dívida
- Parcelas a partir de R$ 9,90
- Pagamento via Pix ou boleto, com parcelamento em até 72 vezes
- Nome limpo em até 5 dias úteis após a confirmação do pagamento
- Participação gratuita — não há custo para consultar ou negociar
A lógica é simples: o credor prefere receber algo a não receber nada. Quando a dívida já está em atraso há meses ou anos, a empresa aceita negociar por valores bem abaixo do original para recuperar pelo menos parte do crédito.
A participação no Feirão Serasa é gratuita e pode ser feita por diferentes canais. Aqui vai o caminho mais prático:
1. Consulte suas dívidas. Acesse o site da Serasa ou o aplicativo Serasa (disponível para Android e iOS). Cadastre-se com CPF e crie uma conta, caso ainda não tenha.
2. Veja as ofertas disponíveis. Na seção "Limpa Nome", você vai encontrar as dívidas negativadas no seu CPF e as propostas de acordo de cada credor. Nem toda dívida terá oferta — depende da adesão da empresa ao Feirão.
3. Escolha a proposta e simule o pagamento. Analise o valor com desconto, o número de parcelas e o valor total que será pago. Esse terceiro número é o que importa — não se deixe hipnotizar pelo desconto percentual.
4. Feche o acordo e pague. O pagamento pode ser via Pix (liberação mais rápida) ou boleto bancário. Após a confirmação, o nome é limpo em até 5 dias úteis.
5. Guarde o comprovante. Salve tudo: print da tela, comprovante de pagamento, protocolo do acordo. Se houver qualquer divergência futura, esse é seu documento de defesa.
Outros canais de atendimento incluem o WhatsApp oficial da Serasa, agências dos Correios participantes e tendas presenciais em São Paulo.
Entram no Feirão dívidas de diferentes naturezas, desde que o credor esteja participando da campanha. As mais comuns:
- Cartão de crédito e cheque especial — as campeãs de inadimplência no Brasil
- Empréstimos pessoais e consignados em atraso
- Financiamentos — veículos, imóveis e bens diversos
- Contas de telefonia, internet e TV por assinatura
- Energia elétrica e água — concessionárias que aderiram ao programa
- Dívidas de varejo — lojas, magazines e marketplaces
O que geralmente não entra: dívidas tributárias (impostos federais, estaduais ou municipais), pensão alimentícia e dívidas decorrentes de decisão judicial.
Sim, os descontos existem. Mas precisa de contexto.
Quando a Serasa anuncia "até 99% de desconto", está falando do teto — um caso extremo, geralmente uma dívida antiga de valor baixo em que o credor praticamente desistiu de cobrar. Na prática, a maioria dos descontos fica entre 40% e 80%, dependendo da idade da dívida, do credor e do tipo de negociação.
Pense assim: o desconto é calculado sobre o valor atualizado da dívida, que já inclui juros, multas e encargos acumulados. Uma dívida original de R$ 2.000 pode ter virado R$ 8.000 no sistema da Serasa. Se o desconto é de 70%, você paga R$ 2.400 — que é mais do que a dívida original, mas bem menos que os R$ 8.000 cobrados.
Pontos de atenção:
- Compare o valor do acordo com o valor original da dívida, não com o valor inflado
- Some todas as parcelas — desconto de 60% em 72 vezes pode custar mais do que parece
- Verifique se há juros embutidos no parcelamento — algumas propostas são "sem juros", outras não
O Feirão é uma boa ferramenta para dívidas pontuais. Aquele cartão que fugiu do controle, a conta de telefone que ficou para trás. Para esses casos, faz sentido, limpa rápido e segue a vida.
O problema começa quando o cenário é outro.
Eu trabalhei mais de uma década dentro de grandes bancos. E posso dizer com segurança: para quem tem uma ou duas dívidas pequenas e consegue pagar à vista ou em poucas parcelas, o Feirão funciona. Mas para quem tem um quadro de superendividamento — várias dívidas, comprometimento alto da renda, parcelas que se acumulam — o Feirão pode ser um paliativo perigoso.
Pensa no João, servidor público, 38 anos, renda de R$ 8.500. Ele diz: "Meu salário some antes mesmo de cair." Cartão estourado, cheque especial no limite, financiamento do carro atrasado, empréstimo consignado comprometendo 35% da folha. Se o João entrar no Feirão e negociar cada dívida separadamente, vai sair com cinco boletos novos. Resolveu? No papel, sim. Na prática, daqui a seis meses ele está de volta na mesma situação — ou pior.
Ou a Maria, servidora, 42 anos, divorciada, mesma faixa de renda. "Depois do divórcio, sobrou tudo pra mim." Financiamento da casa, escola dos filhos, dívidas que eram do casal e agora são só dela. A Maria não precisa de desconto em dívida individual. Ela precisa de um plano que olhe para a totalidade da situação financeira e reorganize tudo de uma vez.
O Feirão trata cada dívida como um problema isolado. Mas o superendividamento é um problema sistêmico. E como analogia: se você tem uma infiltração no teto, pode secar a poça todo dia com um pano — ou pode subir no telhado e consertar a telha quebrada. O Feirão é o pano. Funciona no momento, mas não resolve a causa.
Para quem está nessa situação, existe um caminho mais robusto — e pouca gente conhece.
Em 2021, entrou em vigor a Lei 14.181/2021, conhecida como Lei do Superendividamento. Ela alterou o Código de Defesa do Consumidor para criar mecanismos de proteção ao consumidor que se endividou além da capacidade de pagamento.
O que essa lei permite:
- Repactuação global das dívidas — todas reunidas num único plano de pagamento
- Plano de até 5 anos para quitação, com prestações compatíveis com a renda
- Preservação do mínimo existencial — a lei garante que o devedor mantenha renda suficiente para despesas básicas (moradia, alimentação, saúde, educação)
- Audiência de conciliação no Judiciário ou em órgãos como Procon, onde todos os credores são chamados simultaneamente
A diferença é estrutural. No Feirão, você negocia com cada credor separadamente, sem nenhuma garantia de que o resultado final será sustentável. Na repactuação via Lei do Superendividamento, um juiz ou conciliador analisa toda a sua situação e define um plano que você consegue cumprir sem destruir sua vida.
E aqui entra outro ponto: a revisão contratual. Antes de negociar qualquer acordo, é fundamental verificar se as dívidas que estão sendo cobradas foram calculadas corretamente. Em mais de 10 anos de atuação nessa área, vi incontáveis contratos com juros acima do permitido, capitalização irregular, tarifas abusivas e cobranças indevidas.
Uma análise técnica séria — recálculo contratual, identificação de abusividades, confronto com as taxas médias do Banco Central — pode reduzir significativamente o valor real da dívida antes de qualquer negociação. O resultado é uma diferença brutal: em vez de negociar um desconto sobre um valor inflado, você negocia sobre o valor correto.
A recomendação prática: se você se identifica com a situação do João ou da Maria — várias dívidas, renda comprometida, sensação de que está num ciclo que nunca acaba — procure um advogado especializado em reestruturação de dívidas antes de fechar qualquer acordo no Feirão. A consulta pode mudar completamente o rumo da negociação.
Sim. A consulta de dívidas, a simulação de acordos e a formalização da negociação são totalmente gratuitas. Você não precisa pagar nada para participar — nem taxa de adesão, nem valor de entrada. Desconfie de qualquer site ou pessoa que cobre para "intermediar" o acesso ao Feirão.
Não na hora, mas é rápido. Após a confirmação do pagamento (ou da primeira parcela, dependendo do acordo), a Serasa tem até 5 dias úteis para retirar a negativação. No caso de pagamento via Pix, o prazo costuma ser menor. Se passar de 5 dias úteis, entre em contato diretamente com a Serasa pelo app ou pelo WhatsApp oficial.
Sim, é possível, mas avalie com cuidado. Dívidas prescritas (geralmente acima de 5 anos) não podem mais ser cobradas judicialmente, embora o nome possa continuar negativado. Negociar uma dívida prescrita pode reiniciar o prazo de prescrição. Consulte um advogado antes de fechar acordo sobre dívidas antigas.
Se você fechar um acordo no Feirão e deixar de pagar as parcelas, o acordo é cancelado e a dívida volta ao valor anterior — com o nome negativado novamente. Por isso, antes de fechar qualquer negociação, faça uma conta honesta: some todas as parcelas de todas as dívidas que pretende negociar e veja se o total cabe no seu orçamento mensal. Se não couber, o acordo vai virar uma nova dívida.
Para usar o Feirão em si, não. Qualquer pessoa consegue acessar, consultar e fechar acordos sozinha. Mas a pergunta certa é outra: você precisa de um advogado para garantir que está fazendo o melhor negócio possível? Na maioria dos casos de endividamento múltiplo, sim. Um advogado especializado pode revisar os contratos, identificar cobranças abusivas, reduzir o valor real das dívidas e, se for o caso, acionar a Lei do Superendividamento para uma repactuação global. O Feirão é uma ferramenta — mas ferramenta sem diagnóstico pode consertar o problema errado.
O Feirão Limpa Nome Serasa 2026 é uma oportunidade real para quem tem dívidas pontuais e quer resolver rápido. Os descontos existem, os canais são acessíveis e o processo é simples. Mas se o problema é maior — se as dívidas se acumulam, se a renda não fecha, se cada mês é uma escolha entre qual conta deixar de pagar — o Feirão sozinho não vai resolver. Ele limpa o nome, mas não reestrutura a vida financeira. E sem reestruturação, o ciclo se repete. Antes de clicar em "aceitar acordo", pare e avalie: você precisa de um desconto ou precisa de um plano?