Entenda como funciona a busca e apreensão, seus prazos, seus direitos e como proteger o veículo da sua empresa.
A busca e apreensão de veículo é uma ação judicial que o banco pode mover quando há inadimplência em contrato com alienação fiduciária. Para o empresário, perder um veículo pode significar parar a operação. Entenda como funciona e quais são suas opções de defesa.
A busca e apreensão é uma ação judicial prevista no Decreto-Lei 911/69, utilizada por bancos e financeiras para retomar veículos financiados quando há inadimplência. Ela se aplica a contratos com cláusula de alienação fiduciária — ou seja, o veículo é propriedade do banco até a quitação total.
O processo é rápido: o juiz pode conceder a liminar de apreensão em até 48 horas após o protocolo da ação, sem ouvir o devedor. Isso significa que o oficial de justiça pode aparecer sem aviso prévio.
O banco pode ingressar com a ação após a mora do devedor, que se configura com:
- Notificação extrajudicial — O banco deve enviar notificação (carta, cartório ou protesto) comprovando a inadimplência
- Inadimplência de pelo menos uma parcela — Legalmente, uma única parcela em atraso já autoriza a ação
- Contrato com alienação fiduciária — Sem essa cláusula, o banco não pode usar esse instrumento
Mesmo após a apreensão do veículo, o empresário tem direitos importantes:
Dentro de 5 dias após a execução da liminar, o devedor pode pagar a integralidade da dívida (todas as parcelas vencidas e vincendas) para recuperar o veículo. Esse prazo é curto e exige ação rápida.
O devedor tem 15 dias para apresentar contestação. Uma defesa bem fundamentada pode:
- Apontar irregularidades na notificação
- Demonstrar juros abusivos no contrato
- Questionar o saldo devedor apresentado pelo banco
- Pedir a revisão das cláusulas contratuais
É possível — e recomendável — mover uma ação revisional junto com a defesa na busca e apreensão. Se ficar comprovado que os juros são abusivos, o saldo devedor pode ser substancialmente reduzido.
Antes de qualquer ação, é fundamental analisar o contrato em detalhes. Muitos contratos de financiamento PJ contêm cláusulas abusivas que podem ser usadas como argumento de defesa.
A notificação extrajudicial é requisito obrigatório. Se o banco não comprova que notificou o devedor adequadamente, a ação pode ser anulada.
Em alguns casos, depositar judicialmente as parcelas em atraso demonstra boa-fé e pode suspender a liminar de apreensão.
Com uma análise contratual mostrando abusividades, a posição de negociação muda completamente. O empresário negocia com dados, não com desespero.
Não. A busca e apreensão exige ação judicial e decisão de um juiz. Qualquer tentativa de retomada extrajudicial do veículo é ilegal.
Sim, dentro de 5 dias pagando a integralidade ou por meio de contestação demonstrando irregularidades. A defesa técnica pode reverter a apreensão.
A ação em si não afeta diretamente o CNPJ, mas a inadimplência que a motivou pode gerar restrições cadastrais. Uma defesa adequada pode resolver ambas as questões.
Se a liminar for suspensa ou revertida, sim. Enquanto o veículo estiver apreendido, não é possível utilizá-lo.
Ajude outros empresários a encontrar esta informação